O pastor está conosco na hora da provação
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum. Porque tu estás comigo, o teu bordão e o teu cajado me consolam (Salmo 23.4).
Há um filme estrelado por Antony Hopkins e Debra Green. No filme há a história de C. S. Lewis com uma moça que é inglesa e se apaixona por ele como escritor. E os dois acabam se casando e num determinado momento da vida deles, ela descobre um câncer no fêmur. A luta começa com vários tratamentos, mas diante de todos os acontecimentos ela vem a falecer e deixa um filho com Lewis. E num momento de conversa entre os dois eles expressam a saudade e a dor diante da morte de Joy. (Filme: Terra das sombras. Este filme conta a história da vida do grande escritor C. S. Lewis.)
Como vemos na experiência deste filme, a morte traz tristeza, dor, solidão, decepção e angústia ao nosso coração. Ela traz insegurança para a realidade da vida. Ela abala qualquer estrutura humana trazendo pavor. Ela faz as famílias se desestruturarem completamente. Ela faz um país todo poderoso no dia 11 de setembro de 2001 se sentir pequeno e totalmente vulnerável. Ela faz uma família inteira chorar de dor ao ver o filho de 8 anos sendo morto por um grupo de bandidos e jogá-lo num rio. Ela faz a gente perder completamente o chão e ficar perplexo por causa da saudade e da perda. Então, só alguém que conhece a morte e sabe como vencê-la é que pode nos consolar e trazer alívio ao coração. Só o pastor da alma que passou por ela e a venceu é que pode nos animar e revigorar a alma.
No contexto de Israel o pastor guia as suas ovelhas para os espessos gramados das encostas. Talvez esta jornada leve semanas ou meses e lá as ovelhas ficam até o outono, até que a grama acabe e o frio se torne insuportável. Mas, a verdade é que nem todos os pastores fazem esta jornada porque a caminhada é longa e perigosa demais. Há plantas venenosas que podem intoxicar o rebanho, animais selvagens que podem atacar o rebanho, trilhas estreitas e vales escuros e por isso, alguns pastores preferem a segurança dos pastos estéreis, embaixo. Mas, o bom pastor não, ele conhece o caminho e está totalmente preparado ele tem a vara e o cajado na mão para tanger e proteger o rebanho. (LUCADO, Max. Aliviando a bagagem. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp. 89-90.)
Davi sabe muito bem desta realidade como pastor e por isso, ele diz que ainda que ele ande pelo vale da sombra da morte, não teme mal algum. Assim, como ele protege o seu rebanho de ovelhas, está convicto de que o seu pastor celestial o conduzirá da mesma forma aos campos elevados. Ele sabe que no meio dos perigos e dilemas da vida Deus o levará para cima. Ele sabe que Deus o levará para a montanha pelo caminho do vale.
Há uma história de um capelão do exército francês que usava o Salmo 23 para encorajar os seus soldados antes da batalha. Ele insistia com seus soldados para repetirem a primeira frase do Salmo 23, marcando cada palavra num dedo. O dedo mínimo representava a palavra O; o anular, a palavra Senhor; o médio a palavra é; o indicador a palavra meu e o polegar, a palavra pastor. Quando eles precisassem de força o capelão dizia para eles identificassem o Salmo na palma da mão. O capelão recordava aos soldados que Deus é um pastor pessoal com uma missão pessoal, leva-los ao lar em segurança. E de fato os soldados levaram a sério aquela dica do capelão porque um dos soldados após uma batalha foi achado morto, sua mão direita agarrada ao indicador da esquerda. O que refletia: O Senhor é o meu pastor. (LUCADO, p. 95.)
Isto me faz lembrar de um amigo chamado Carlos Barbosa. Tínhamos 17 anos de idade, passávamos o Natal todos os anos juntos, jogávamos bola juntos, passeávamos juntos. Acampávamos juntos. Desde a infância sempre estávamos lado a lado. E no dia 17 de abril de 1988 numa imprudência de um ônibus que passou o farol vermelho, o carro em que estava este amigo se chocou com o ônibus. No outro dia chega a notícia da morte do Carlão. Aquilo acabou com a gente, entristeceu o nosso coração. Ficamos todos sem chão. De onde poderia vir o nosso consolo?
Saibamos desta verdade até na hora da morte. O nosso pastor está nos dirigindo e nos controlando em todo o tempo. Até na sombra da morte não precisamos temer a nada, nada mesmo, pois o Senhor está presente conosco.
Só do pastor que está ao nosso lado é que pode nos consolar e trazer ânimo novo no meio destas tristezas que nos tiram do chão. Quando a crise chega em casa, quando os filhos passam lutas terríveis não precisamos temer, Deus o nosso pastor nos ajuda e nos socorre no momento oportuno. Quando passamos pelas dores da via não precisamos temer, porque ele nos consola. Quando perdemos um familiar, um amigo, não precisamos temer porque ele nos socorre. Quando a crise chega em casa, quando os filhos passam lutas terríveis não precisamos temer, Deus o nosso pastor nos ajuda e nos socorre no momento oportuno.
Lembrem-se desta verdade preciosa no coração sempre. O pastor apruma o nosso caminho e mesmo com os obstáculos ele nos leva para as montanhas da tranqüilidade.
Lembrem-se das verdades da Palavra: E terás confiança, porque haverá esperança; olharás ao redor de ti e repousarás seguro (Jó 11.18). Agora, pois, Senhor, que espero eu? a minha esperança está em ti (Salmo 39.7). Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança (Salmo 62.5).
Alcindo Almeida é Pastor na Igreja Presbiteriana de Pirituba e um dos fundadores do Projeto Timóteo. Atual diretor do CEAP – Centro de Estudos e Apoio Pastoral. Outros Artigos
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